Alexandre Santos FONTE JORNAL MASSA
No
dia em que estreou como profissional pelos pesos-penas, em julho do ano
passado, o soteropolitano Vitor Freitas não imaginava que seu primeiro
nocaute lhe renderia um duro golpe minutos depois de ele deixar o
ringue.
Sobrinho do ex-pugilista Acelino Popó, o
rapaz, hoje com 19 anos, foi pego em exame antidoping no duelo contra o
norte-americano Rocco Espinoza, na cidade de Nevada, nos Estados
Unidos.
Vitor, que precisou de apenas 2 minutos e
11 segundos para derrubar o rival ainda no primeiro assalto, admite ter
feito o uso de uma substância minutos antes da luta. O resultado
“positivo” foi dado no vestiário e o gancho– uma suspensão de nove meses
e o pagamento de 600 dólares [cerca de 1.200 reais] – foi recebido, por
e-mail, quando ele já estava de volta ao Brasil. A multa foi paga, mas
as lembranças ainda incomodam ele e os que o cercam.
“Fiquei arrasado, porque o treinei
desde cedo. Ele devia ter perguntado se poderia ou não tomar. Mas
tomou escondido”, afirma o treinador Luis Cláudio Freitas, tio do Vitor e
ex-sparring do irmão Popó.
Passados oito meses do “flagra” que o
fez cogitar até mesmo a deixar a carreira , o pupilo do “Mão de Pedra”
diz ter apreendido a lição. O ocorrido, segundo ele, serviu para que não
volte a vacilar novamente no futuro. “Confesso que fiquei desanimado.
Mas voltei a treinar duro há duas semanas. Meu tio Popó ligou e me
incentivou, dizendo que vai arranjar uma luta pra mim daqui a um ou dos
meses”, contou Vitor com exclusividade ao MASSA!
E se depender do incentivos do tio
coruja, a nova aposta da família Freitas tem tudo para brilhar. “Vencer
na estreia, com nocaute no primeiro round, não é pra qualquer um”,
elogia Popó.
Se a responsabilidade de se tornar
herdeiro de um tetracampeão mundial o assusta? Vitor garante que não!
“Minha meta é ser campeão do mundo. Se Deus quiser!”.
Tio Luis Cláudio vê caso como ‘infelicidade’
À época do doping, Vítor Freitas
confessou ter ingerido “testosterona sintética”, substância popularmente
conhecida como "abelhinha".
Encontrado facilmente em farmácias
Brasil afora, muitos atletas costumam usar o estimulante, que é
facilmente diagnosticado em exames. “Usei uma vez, quando era amador.
Ninguém me indicou. Eu mesmo comprei, quando estive em São Paulo”,
afirma o jovem pugilista, dizendo-se “muito arrependido”.
Para o treinador Luis Cláudio Freitas, o
caso do sobrinho foi uma infelicidade. “Quem conhece o Popó e a mim
sabe que a gente não permitiria isso", lamenta ele, que chegou a pensar
que o sonho de Vitor poderia ir por água abaixo. "Estou no boxe há
muito tempo e essa história de doping certamente ameaçaria seu futuro”,
diz.

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